Quando preciso falar a respeito de mim e os meus olhos se direcionam Àquele que me criou, digo que sou um maltrapilho amado por Aba. Talvez essa percepção tenha um pouco de influência de Richard Francis Xavier, mas a verdade é que ao longo do tempo entendi que não há nada de bom em mim e que tudo o que tenho e recebo de Deus é graça.

Embora caminhando com Jesus há cerca de 18 anos, encontrei o Seu olhar há cerca de 14 anos; desde então, estou viciado em Seus olhar e em Seu amor. Após o primeiro encontro, não consegui mais viver como alguém normal… sim, sou anormal, pois tento seguí-lo todos os dias de minha vida.

Eu tento ser como Ele, mas não consigo. Procuro ser humilde e, então, torno-me autocomiserável, me desvalorizando e me esquecendo de que sou amado. Minha busca por ser maduro e sábio, comumente me torna em um homem arrogante. Minhas inúmeras tentativas em ser bom para as pessoas, me fazem enxergar o quanto faço o mal que não quero. A verdade, é que não consigo sem Jesus.

Encontro-me em uma guerra sem fim, onde todos os dias luto contra meus pensamentos e coração divididos, contra meus enganos e o meu medo de ser rejeitado. Preciso freqüentemente me despir de minhas máscaras e de minha capa religiosa, as quais possibilitam que eu ache que as pessoas estão me enxergando como alguém melhor do que sou. Fico tentando esconder o que realmente está dentro de meu peito: um coração enganoso e ferido.

Sou solitário, mal-humorado, homem de poucos amigos. Por isso, faço desse canto um lugar exclusivo. Escrevo para meu Amigo e para mim. Minha contradição, minha loucura, meu engano, por enquanto, que fiquem comigo; e enquanto Deus tiver prazer nesse louco maltrapilho, assim quero permanecer.